quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Hoje eu acordei com vontade de dormir, de dormir até mais tarde e só acordar quando minha mãe  chamasse por que o café estava na mesa. Mas nem ele estava na mesa e nem ela estava lá. Então eu levantei sem vontade de pentear o cabelo e escovar os dentes, com vontade ver meu desenho animado favorito e depois correr para a rua encontrar a garotada. Pegar a bicicleta e “viajar” para o outro bairro escondido de minha mãe. Voltar pra casa todo sujo e ver ela na porta me esperando, com cara de brava e mãos na cintura, mas aguardando com um abraço forte pra me dar.



Porém, olhei no espelho, e o garotinho não estava lá, minha barba por fazer me apresentava uma imagem ainda mais rancorosa e meus olhos caídos pareciam tão tristes.


Foi então que eu decidi – Vou visitar minha velha mãe! Dar-lhe um abraço forte e fazer voltar todo esse tempo que me faz falta.


A viagem foi longa e a expectativa era saltitante e ansiosa. E quando cheguei, a casa verde estava lá e a árvore do balanço também! Corri como se estivesse correndo para a maquina do tempo, para o túnel que me levaria a verdadeira felicidade!


Mas a porta ainda de madeira, me barrou da correria, me bateu na cara bem forte pra lembrar - me que ela não estava mais lá. Que seu lugar agora era no Cemitério São José, e que aquela senhora doce que fazia doces tão bem, não voltaria mais. Que esse tempo não volta mais, que a garotada não volta mais. “Que o que passou calou”.


Que eu, não sou mais eu, e que eu não volto mais.



sexta-feira, 4 de setembro de 2009


Nessa manhã, quando abri os olhos pela primeira vez, vi as folhas da palmeira sacudidas pelo vento, com pequenas gotas de orvalho que restaram de uma noite chuvosa. Depois, vi meus pais, a água da torneira, a toalha cor de rosa, o piso de cerâmica branca, o jornal da manhã noticiando tragédias, meus cães e uma outra infinidade de coisas que eu vejo e enxergo, entre outras mil que vejo, mas nem noto.
Eu vejo crianças brincando nas ruas e sorrio, vejo meu livro tão cheio de letras e viajo, vejo um acidente tão cheio de sangue e me assusto, vejo um rosto tão rancoroso e entristeço, vejo minha vida tão sempre mudando e gargalho, vejo minha família com tanto orgulho que choro e vejo teu rosto com tanto carinho que suspiro.
Meus olhos são tão dedicados a trabalhar diariamente como um jornalista e repassar ao meu cérebro inúmeras informações que se transformam em sentimentos, gestos, expressões, risos e lágrimas.
Aos meus olhos dedico o sincero e intenso sentimento de mais pura gratidão. Eles que me acompanham e me relatam todos os dias o mais bonito filme de todos, de história tão surpreendente e personagens hilários.
Hoje, estou atenta ao que vejo, e o que enxergo é especialmente encantador!
Hoje me dedicarei a homenagear os olhos, dando mais valor a sua importante função na industria de mim.
Hoje eu vejo e enxergo, hoje eu existo mais, hoje sou mais grata a esses grandes e escuros olhos que me possibilitam estar aqui lhes escrevendo para agradecer. Muchas gracias ojos míos!

Muito obrigada janelas de mim que me levam voar!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Eu quero paz.
E que meus pontos de exclamação e interrogação se dissolvam incolores, sem peso e sem caos.
As minhas contradições não tem mais graça. Quero querer e fazer paz.
Eu quero saber do que estou falando.
Eu quero paz.
Eu quero ser a mesma pessoa quando o sol se pôr.

Meu quintal, o gramado, o sol e o varal.

POR BEATRIZ BAJO

…talvez tivesse receio de fazer pesar ternos meus a ponto de envergar o varal de ideia fixa. Cabiam sempre entre uma roupa e outra minhas meias. Meias verdes. Haviam de secar em céu aberto. A umidade é o mistério original… a secura, a verdade coagulada. Mas verde é cor molhada de sempre e quando baixei o varal, a tinta ainda estava fresca. Ingênua tentativa. Temi. Assim como me sinto mais viva molhada, entrei na máquina e lavei-me inteira. Esverdeei. Torci e retrocedi a ponto de dobrar-me quase. Amarrotada. Calcei as meias verdes, pendurei-me com cuidado no varal e estendi-me. Agora aguardo que o sol me quare.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em meio a massa


Hoje não é uma manhã de sol. Estou confusa, desanimada e exausta. Porém, uma matéria que li a alguns minutos, que falava de alguns artistas plásticos que propagam um movimento com intuito de mostrar que não estar no foco do holofotes também é muito bom, fez eu me sentir compreendida referente a vida social.
Meus pais sempre acharam bonito o fato de eu freqüentemente me destacar no meio em que vivo, seja por minhas firulices (escritos, declamações, teatro e afins) ou por eu naturalmente ser uma pessoa diferentemente esquisita, a garota sem salto que não penteia os cabelos, encantada por filosofia, sensível e romântica, fanática por futebol e que não come chocolate. Porém, nunca compreenderam essa minha vontade e necessidade de anonimato. Sim, muitas pessoas lidam bem com o fato de ser centro das atenções, mas eu particularmente me incomodo muito com isso. Talvez se eu gostasse do fato de ser foco de olhares, eu viveria melhor, pois sei que tenho talentos de nascença e dom pra liderança.
Mas não, cada dia que passa tenho mais vontade de me camuflar, de ser mais discreta, de ser só mais uma na multidão e ser feliz. Quero ser importante, mas importante apenas para alguns poucos que me façam bem e que convivam próximos de mim, minha família e alguns bons amigos. Não sou nem quero ser exemplo pra ninguém. Sou impulsiva demais, sensível demais, ciumenta demais, bipolar demais e não quero tantos defeitos evidenciados como um espetáculo onde quer que eu vá.
Quero ser mais uma na multidão.
Estou estudando direito, para fazer algum bem para sociedade e manter financeiramente nos próximos anos, minha futura família e meu cachorro, numa rotina diária de trabalho, carinho familiar, aventuras discretas e domingos no estádio. Espero, e me esforço, para que esses meus sonhos sejam realizados, e que anonimamente eu possa seguir minha vidinha feliz.
Sempre pensei que esse meu desejo fosse algo estranho, porém hoje descobri que algumas pessoas estão fazendo um movimento artístico para mostrar que esse anonimato faz bem, por um momento não me senti tão só e sorri pra mim mesma, atrás da tela do computador, de só mais uma mesa, de só mais uma unidade da Receita Federal, de só mais um país. Sendo feliz e tranqüilamente, só mais uma.

A tal matéria: http://yahoo.minhavida.com.br/materias/bemestar/Assumir+os+desejos+fica+mais+facil+com+o+anonimato.mv

quinta-feira, 23 de julho de 2009


Os olhares, os sorrisos, a simpatia. A aproximação e o nervosismo. O coração a la Hardcore, e o corpo em temperatura de Tango. As mãos suadas e tremulas, a incomoda incerteza das suas intenções, e das minhas intenções que nunca foram certeza e que no momento são um Samba-rock confuso de idioma desconhecido.
Mas a Baladinha Romântica que passeia em minha mente, impulsiona meu inquieto corpo a tocar o seu de leve, num carinho nervoso e por vezes arrependido. De repente quando surge num Repente bem mansinho a retribuição do carinho, eis que o sangue que andava em Bossa Nova, corre então intensamente bem Sidney Magal, e como um canto de torcida numa final, tudo vira emoção.
Depois de infinitos minutos de desenvolver confiança, e a mão de carinho que dança tentando te agradar, você se aproxima de leve, mais leve que a brisa fina e respirando baixinho, me beija devagar. E o que era pra ser carnaval, barulho e explosão, vira o mais profundo silencio, numa calma sem igual, e a confortante certeza de que era o que eu queria, manifestou seu jeito doce no meu ser.
Agora o que me resta é recordar, e toda vez que recordo, é como uma canção antiga que de repente toca na rádio só pra relembrar, e aquela sensação que volta, que faz o dia ser de sol por maior que seja a tempestade lá fora, me faz feliz.Recordar é o que me leva pra perto de você, e essa foi uma história que dentro da minha história deu Rock e me fez sorrir.